

O conteúdo de água no corpo de uma criança corresponde a aproximadamente 80% do total; nos adultos a proporção é de 60% e nos idosos de 50%. Mesmo com menos reserva hídrica, a população na terceira idade não sente tanta vontade de ingerir líquidos, pois seus mecanismos de equilíbrio interno não funcionam muito bem e a percepção da sede se altera. Por isso pequenas perdas podem representar um grande risco.
Com a chegada do frio, o geriatra Venceslau Antonio Coelho, do Serviço de Gerontologia do Sírio-Libanês, informa que a ingestão de líquidos pelos idosos costuma ser ainda menor. Considerando que muitos deles deixam de beber água porque não sentem necessidade de se refrescar, como ocorre no verão, o médico tem uma boa dica para esta época do ano: três xícaras de chá quente por dia. “Além de hidratar, elas vão aquecer o corpo”, ressalta.
Os principais sintomas da falta de água são: pele e boca secas, pouca urina ou urina escura, e irritabilidade. Quando a desidratação chega a estados graves, o coração acelera, ocorrem quedas da pressão arterial e da consciência, e aumenta a temperatura corporal.
Além da ingestão de líquidos, a desidratação pode ser prevenida evitando diarreias. Portanto, as mãos devem ser limpas antes da preparação das refeições; as frutas e legumes lavados em água corrente; e os alimentos guardados na geladeira, observando sempre seus prazos de validade.
O geriatra Venceslau Coelho explica que além da diminuição de sensibilidade térmica, alguns idosos podem apresentar déficit de atenção e falhas de memória. Por isso, eles precisam ser lembrados constantemente sobre os cuidados com a saúde.
O perigo da automedicação e a importância de se proteger
A baixa temperatura é motivo também para que muitos idosos fiquem fechados dentro de casa. Às vezes, nem as janelas são abertas para ventilação. Esse cenário, segundo Venceslau, é o ideal para a transmissão de doenças virais e bacterianas. “Esfriou, logo aumentam as ligações telefônicas de pacientes com gripes e pneumonias”, conta.
O especialista reforça ainda a necessidade dos idosos se protegerem do frio ao saírem do banho ou para caminhar na rua; não se automedicarem, nem mesmo com antigripais, pois vários deles contêm substâncias que podem causar arritmias; e sempre procurarem ajuda médica precocemente, já que o atraso de apenas alguns dias pode representar a necessidade de internação. “Os idosos têm menos reserva funcional que os jovens. Por isso, acabam se tornando mais suscetíveis a várias doenças”, diz.
No entanto, conforme alerta a Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia (SBGG), muitas doenças comuns nos idosos podem ser prevenidas ou minimizadas por meio de imunizações.
Venceslau elege as vacinas contra a gripe (influenza), pneumonia, difteria e tétano entre as mais importantes para os idosos.
Fonte: Dr. Venceslau Antonio Coelho, geriatra do Serviço de Gerontologia do Sírio-Libanês.
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